às vezes, leio (2025 edition)
Esse é meu post em que eu volto à minha planilha de leituras do ano e faço alguns comentários sobre como foi a jornada, os que gostei, os que não gostei, enfim. Você pode acessar o do ano passado aqui.
Combinei com meu terapeuta que reativaria meu cartão da biblioteca esse ano e cumpri essa promessa, o que teve um impacto IMENSO no meu hábito de leitura. Ler um livro emprestado realmente fez com que eu me comprometesse a... bom, ler. E já que eu tinha que ir de novo à biblioteca pra devolver o livro, fazia muito sentido aproveitar a viagem e pegar outro. Mas do começo:
Estatísticas 📊
Em 2025 li 16 livros no total, 4 livros a mais que em 2024.
Desses 16, 5 foram escritos por brasileires (31,3%) e 11 (68,7%) de outras nacionalidades. Do ano passado pra esse, queria dar uma diversificada maior nos estrangeiros, e até que rolou: em vez de serem todos estadunidenses, tivemos 1 sul-coreano, 1 canadense, 1 nigeriano e 2 alemães. Os 6 que sobraram (37,5%) foram estadunidenses, uma proporção que já me agrada mais.
Quanto ao gênero, tivemos a divisão cravada em metade homens e metade mulheres, ainda que todos cis. De novo, mais diverso que o ano passado, mas dá pra melhorar com pessoas trans aí.
Como voltei a frequentar a biblioteca, o livro físico dominou minhas leituras desse ano. Foram 12 (75%) nesse formato. Além dele, tive 3 ebooks e uma novidade: 1 audiobook. Esse eu ouvi pela Skeelo, que eu nunca tinha usado.
Agora, aos livros em si! Fica o mesmo aviso do ano passado: vou tentar contornar spoilers, mas não tô muito preocupado com isso aqui não hein. Não pretendo entrar em muito detalhe sobre as sinopses dos livros, mas vou linkar para as páginas dos livros no Skoob. Aqui, deixo um breve comentário sobre a minha leitura.
Diferente de 2024, não tive um livro que odiei com aquela intensidade toda. Mas tive um que não gostei mesmo assim. Acho que vou organizar a lista da mesma forma que no ano anterior, em nome da consistência.
Bons livros ⭐️⭐️⭐️⭐️❤️

- O dia em que selma sonhou com um ocapi, de Mariana Leki
Demorei muito pra conseguir engatar, eu tava com ele comprado aqui em casa e já tinha tentado ler algumas vezes, esse ano finalmente engatei. É um livro que tem jeito de filme cult, uma ambientação de vila pequena na Europa que me é muito distante. O ritmo é bem lento e foi meio difícil de me cativar pelos personagens, mas finalmente peguei um carinho e até chorei no final. - O fim da infância, de Arthur C. Clarke
Peguei esse na biblioteca porque estava à fim de uma ficção científica e rendeu bem viu. Acho que o livro apresenta uma raça alienígena interessante de verdade, com uma boa descrição e um suspense até que você entenda o que eles vieram fazer na Terra. Gosto dessa ideia de alienígenas que aparecem pra tutorar a humanidade (uma premissa que quase se parece com Pluribus, agora que paro pra pensar). - O tempo desconjuntado, de Philip K. Dick
Esse também foi um empréstimo da biblioteca, e confesso que o que mais me atraiu foi a linda arte da capa. Não costumo gostar muito dos livros do Dick, sempre sinto que acabam funcionando melhor no cinema do que como livros (é polêmico esse posicionamento? Não sei). Mas me entreteve bem durante a leitura. Acho que a história desenvolve bem o suspense do que está acontecendo com o protagonista, ainda que tenha uma resolução meio mais ou menos. Uma coisa que eu achei engraçada é que ele, num dado momento, imagina um futuro em que o dinheiro físico ainda existe, mas agora é de plástico. Uma previsão totalmente errada hahahah - Impostora: yellowface, de R. F. Kuang
Esse foi um dos queridinhos do ano! A ideia toda de uma autora branca invejosa roubando o trabalho de uma autora amarela mais bem-sucedida que ela me pegou demais. É um livro cheio de micro-agressões, e a protagonista é construída de uma forma que torna meio impossível não detestá-la. Sabe aqueles filmes em que o protagonista tá mentindo, você sabe que ele tá mentindo, e você vai vendo ele se enrolar mais e mais na própria mentira? Aqui é exatamente isso. Só não me encantou mais porque a resolução do conflito é um pouco fraca e dá uma certa broxada no livro como um todo. Mas ainda recomendo! - Os dois amores de Hugo Flores, de Felipe Fagundes
Esse é um outro querido. Eu amei muito Gay de família, o primeiro livro do Felipe. Hugo Flores tem uma vibe bem diferente, principalmente porque o Hugo é muito diferente do Diego, protagonista do Gay de família. Esse aqui é um livro um pouco mais sensível do que engraçado. Ainda tem várias piadas e um humor gostosinho, mas que não é tão engraçado quanto o Gay de família. Tem uma cara mais de depoimento pessoal, talvez? E aborda a assexualidade de uma maneira bem didática sem ser professoral demais. Gostei.
Favoritos do ano ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️❤️🔥

- Amanhã, amanhã e ainda outro amanhã, de Gabrielle Zevin
Com 400 páginas, esse foi o maior livro que li esse ano. Achei que seria um desafio, mas na verdade foi uma das leituras mais fluídas. É uma história sobre amizade que transcorre ao longo de décadas. Os personagens são muito bem escritos e muito inteligentes. - O quarto de Giovanni, de James Baldwin
Acho que foi minha melhor leitura do ano, seguido muito de perto pelo Nadando no escuro - mas esses dois livros funcionam melhor juntos (explico já já). Aqui a gente acompanha a história do David, um homem em profundo conflito por se ver apaixonado por outro homem, Giovanni. A escrita é linda e retrata com muita maestria o conflito interno do protagonista, o peso que é carregar tanta homofobia internalizada, a confusão e o misto de sentimentos, de paixão a amor a nojo a culpa a medo. Lindo de verdade. - Nadando no escuro, de Tomasz Jedrowski
Cinco meses depois de ler o Quarto de Giovanni, peguei esse pra ler. Acho que já estava na minha lista há alguns anos e eu só sabia que era um romance gay. Comecei a leitura e logo nas primeiras páginas pensei "nossa, lembra bastante o Quarto de Giovanni!" e mais algumas páginas adiante, os próprios personagens começam a ler o livro do Baldwin. A minha impressão é que esse livro é um misto de releitura com homenagem, é meio que a mesma história só que em outro tempo e em outro lugar. A gente vê o romance entre os protagonistas crescer no meio da Polônia dominada pela URSS, instável, revoltada. Também lindo, principalmente se lido algum tempo depois do Baldwin. Recomendo muito esse combo. - Os 3 desejos de Eugênio, de Vitor Martins
O Vitor Martins prometeu um livro só pra adultinhos e entregou um livro só pra adultinhos - no sentido de classificação indicativa mesmo (tem algumas cenas de sexo aqui). É um tom completamente diferente do Mais ou menos 9 horas, livro dele que li no ano passado. Aqui o Vitor sai daquela atmosfera densa e volta pro humor mais leve que eu sinto presente em todos os outros livros dele (e na presença dele na internet também). É uma delícia de se ler, mesmo sendo relativamente previsível. Curti bastante. - Rita Lee: outra autobiografia, de Rita Lee
(obviamente)
Esse foi o primeiro audiolivro que ouvi na vida e achei a experiência muito boa! É um recurso legal ter uma atriz imprimindo tons de voz praquilo que você estaria lendo. Achei que funcionou especialmente bem pra uma autobiografia. Aqui a gente acompanha a história da Rita Lee com o câncer, diagnosticado durante a pandemia - o que torna o COVID uma parte importante da história. Também foi meu primeiro contato mais profundo com a Rita Lee, e achei ela uma figura. Quero ler a primeira biografia dela em 2026. - O peso do pássaro morto, de Aline Bei
Esse aqui já foi até post no blog, aqui. É um livro bastante violento, muito bem escrito, sobre morte e luto, e quase que um luto sobre si mesmo. Recomendo (com cautela).
Não funcionaram pra mim ⭐️⭐️⭐️😒

- As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta
De todos dessa categoria, acho que esse é o que eu mais gosto. Eu sinto que esse é um daqueles livros mais pensados pra retratar uma época do que um personagem especificamente. Gostei da história, mas não tanto da escrita. Acho que ela acaba ficando um pouco superficial às vezes, o que tornou meio difícil me conectar com os personagens às vezes. Um livro sobre colonização e aculturação. - Redemoinho em dia quente, de Jarid Arraes
Esse não funcionou mesmo pra mim, apesar de ser uma leitura para a qual eu estava empolgado. Acho que peguei pra ler num momento em que eu não estava muito a fim de ler contos. Alguns são muito bons, alguns me deixaram querendo que fossem histórias mais longas, alguns passaram mais batidos. Mas o livro todo se arrastou muito, acho que foi minha leitura mais demorada do ano. - O cair da noite, de Isaac Asimov
Esse é um livro curtinho, uma história com uma premissa interessante, mas que se desenvolve de um jeito mais ou menos. Não sei explicar, só achei meio fraco mesmo. - Regras do amor na cidade grande, de Sang Young Park
Eu tava empolgado pra esse aqui. Nadando no escuro acabou sendo tudo o que eu esperava desse aqui. Regras do amor é mais arrastado, o protagonista é meio que um chato e eu senti que a história não saía do lugar em vários momentos. Meh. - Alerta vermelho: diário de um robô assassino, de Martha Wells
Puxa, eu queria muito ter gostado desse! Adorei a série da AppleTv, e acho que eles acabaram melhorando vários pontos do livro. O enredo é basicamente o mesmo, mas senti que a série dominou o ritmo muito melhor, soube criar e sustentar suspense, enquanto que no livro as coisas se resolvem um pouco rápido demais. Também achei a série mais engraçada e simpatizei com o Robô-Assassino bem mais na série do que no livro.
Pior do ano ⭐️💔

- Todo mundo aqui vai morrer um dia, de Emily Austin
Nossa, esse aqui é uma perda de potencial gigante. A proposta é interessantíssima: uma garota lésbica com ansiedade social acaba indo trabalhar na secretaria de uma igreja porque ficou com vergonha demais pra explicar pro padre que na verdade não tava ali pra uma entrevista de emprego. Eu tava esperando uma comédia sessão da tarde (acho que o Felipe Fagundes ia arrasar com uma história dessas, aliás) e encontrei um livro meio insosso, sem graça. Acho que a personagem não tem lá um grande desenvolvimento, faltam cenas constrangedoras e hilárias, enfim, a coisa só meio que não rende.
Então, pra 2025 é isso! Em 2026 quero manter essa meta de mais ou menos um livro por mês. Também acho que seria importante retomar as idas à biblioteca, que diminuíram no segundo semestre, mas aí tem todas aquelas dificuldades (o deslocamento em si, a demora do ônibus, o clima, o acervo meio limitado da própria biblioteca…). Cês tão com metas de leitura pra 2026? Me contem!
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