às vezes, escrevo

que segunda tela?

Há um tempo, vi o documentário da Netflix sobre o reality show America's Next Top Model, o reality da Tyra Banks que foi ENORME nos anos 2000.

Ao longo de três episódios, o documentário tenta explicar pra uma audiência de 2026 o que exatamente foi esse fenômeno e como foi possível que esse tipo de atrocidades tivesse ido ao ar (e sido aclamado!) mesmo cometendo tantos crimes contra a humanidade. Digo "tenta" porque três episódios não são suficientes pra dar conta de tanta história que se tem por contar. O reality teve 24 temporadas com 10 a 16 participantes cada, o que dá, numa conta rápida, MUITO pano pra manga.

O que mais me incomodou no documentário foi a sensação de falta de tempo. Em três episódios a gente fica sabendo que rolou abuso sexual, provas racialmente ofensivas, distúrbios alimentares, abuso psicológico, manipulação, intriga entre os jurados, complexo de superioridade da Tyra Banks, jornada do herói da Tyra Banks, substituição da Tyra Banks pela Rita Ora (!!!) enfim, tudo o que "faz boa tv" como eles insistem em repetir várias e várias vezes. Só que o documentário não dá conta de se aprofundar em nada (e ainda termina com a Tyra AMEAÇANDO uma nova temporada #VemAí projetinhooos).

Embora eu ache que o documentário valha a pena assistir, eu ainda fiquei com a sensação de que ele estava incompleto, que as verdadeiras histórias não tinham sido contadas.
E aí o TikTok começou a me entregar algumas dessas histórias:

(aparentemente o bearblog se recusa a embedar vídeos do tiktok (compreensível), então você vai ter que clicar nas imagens abaixo pra ver do que eu tô falando)

O TikTok também pareceu completar algumas das informações que eu senti que faltaram no documentário, me apresentando a esta entrevista que o Buzzfeed fez com a garota que protagonizou o maior viral do programa:

Aí, claro, tudo virou uma grande palhaçada (que é engraçada mesmo kkkkkkkk) com essa trend "pov: you told tyra":

E isso me fez pensar que o meu contato com o documentário na verdade meio que foi melhor no TikTok do que… vendo o próprio documentário. Sabe aquele papo de que a Netflix teria baixado uma ordem para os roteiristas deixarem os diálogos em cena extremamente burros e repetitivos pra facilitar pra quem "assiste" tv enquanto rola timeline no celular? Acho que o que eu tô falando é meio que um fenômeno complementar a esse: o documentário feito só pra render nas redes sociais. Só pra virar assunto por um tempinho, mobilizar uma galera, gerar curiosidade e, com sorte, virar uma trend. E então sumir. Bora pro próximo ciclo de conteúdo.
Eu mesmo só fui assistir a esse raio desse documentário porque vi alguém falando sobre ele no (adivinha!) TikTok.

após ver em meu tiktok

Então é isso né. Existiu um tempo em que a tela secundária era o celular e a principal era a tv. Era meu jeito favorito de ver o Masterchef, aliás. Comentando ao vivo no twitter (que deus o tenha ou que o diabo o carregue) pelo celular. Só que parece que esse tempo realmente passou, e agora a tela principal é o celular. Tudo fora dele é secundário.


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